sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Clarisse, a primeira.


“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade. Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.” 

Clarisse Lispector

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Aqui.



Aqui
Eu nunca disse que iria ser
A pessoa certa pra você
Mas sou eu quem te adora
Se fico um tempo sem te procurar
É pra saudade nos aproximar
E eu já não vejo a hora

Eu não consigo esconder
Certo ou errado, eu quero ter você
Você sabe que eu não sei jogar
Não é meu dom representar
Não dá pra disfarçar
Eu tento aparentar frieza mas não dá
É como uma represa pronta pra jorrar
Querendo iluminar
A estrada, a casa, o quarto onde você está
Não dá pra ocultar
Algo preso quer sair do meu olhar
Atravessar montanhas e te alcançar
Tocar o seu olhar
Te fazer me enxergar e se enxergar em mim

Aqui
Agora que você parece não ligar
Que já não pensa e já não quer pensar
Dizendo que não sente nada
Estou lembrando menos de você
Falta pouco pra me convencer
Que sou a pessoa errada

Eu não consigo esconder
Certo ou errado, eu quero ter você
Você sabe que eu não sei jogar
Não é meu dom representar
Não dá pra disfarçar
Eu tento aparentar frieza mas não dá
É como uma represa pronta pra jorrar
Querendo iluminar
A estrada, a casa, o quarto onde você está
Não dá pra ocultar
Algo preso quer sair do meu olhar
Atravessar montanhas e te alcançar
Tocar o seu olhar
Te fazer me enxergar e se enxergar em mim

[é só que eu queria. te fazer se enxergar em mim.]

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Tudo Certo.





♪  Calma, tenha calma
Minha previsão do tempo
Diz que hoje não vai chover
Alma, minha alma
Voa leve pelo vento
E me leva até você
Você me faz bem
Quando chega perto
Com esse seu sorriso aberto
Muda o meu olhar
Meu jeito de falar
Junto de você fica tudo bem, tudo certo
Sei, eu sei que vejo mais do que eu deveria
Mas é que eu sou mesmo assim
Sinto, eu sinto tanto a sua falta todo dia
Volta e traz você pra mim
Quem mandou você passar pelo meu caminho
Quantas vezes eu vou ter que repetir
Quantas vezes ?
Você me faz bem
Quando chega perto
Com esse seu sorriso aberto
Muda o meu olhar
Meu jeito de falar
Junto de você fica tudo bem
Fica tudo certo 


[mais uma da lú s2]

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O amor, por Charlie Brown

Minhas palavras.


Distância estranha essa que nos separa, pois estamos tão perto.
Você sabe do que eu gosto, do que eu quero, até mesmo dos meus sonhos, mas ao mesmo tempo é como se não soubesse, não que você não se importe, mas vejo-te tão cansada.
E quando consigo olhar nos teus olhos, vejo sua porta ainda entreaberta, não entendo.
O fato é que me sinto protegida em teus braços, há um conforto e sentimento de paz tão grande ali, que eu sei que nada seria capaz de me atingir, e nada me atinge na verdade, você é a minha proteção!
Eu preciso de você, quero que me devolva toda aquela segurança que eu tinha, que você me permitia ter.
Conte teus problemas, mesmo que eu não possa os resolver. É bom ter alguém que nos ouça às vezes, e oh eu ainda estou com você, sempre estive, mas você ainda não consegue me vê aqui.
Tanta coisa eu queria dividir com você, tenho tantos sentimentos bons para te passar, tantas alegrias e tristezas para te contar.
Tenho medo de que nos percamos em tanta falta de nada, em tanta confusão e correria, de que não tenhamos tempo suficiente para nos conhecermos.
Não te culpo por essas e outras coisas, porque não sei o que existe dentro de você.
Te admiro por tirar forças de onde já não se tem, admiro o teu esforço em fazer com que tudo dê certo.
Onde está você?
Ficou encubada no tempo, perdida entre tantas lembranças, você não está aqui, lembranças boas essas que eu tenho, me trazem a esperança de que talvez, você abra os olhos e veja que eu ainda preciso de você, que meus braços continuam estendidos à tua espera.
Lembre-se: - Volte quando for possível.


[sacado de um blog muito, muito bom que achei por ai. ví que era um texto meu. não que eu tenha escrito... mas esse texto, me pertence. por que cada palavra, é de minha propriedade.]

domingo, 10 de outubro de 2010

Você...



Você me movimentou tanto. Você me provocou severamente sensações. Você me encantou tantas e tantas vezes, numa mesma frase ou num mesmo olhar. Você me sinalizou as curvas. Você soube respeitar cada tempo meu. E me desafiou em cada mentira. E me abraçou em todas as vezes que eu chorei. Você soube me provar que dizer 'sim' ou 'não' não significa sentir 'sim' ou 'não'. Fez boa parte dos meus textos. Me entregou uma safra de palavras. Me provocou as melhores cartas que eu fui capaz de criar. Foi o texto que eu mais escrevi de diversas maneiras, sempre querendo dizer a mesma coisa. Você acalmou a minha ansiedade. Despertou com sabedoria que apesar das palavras, o silêncio do olhar é essencial. Eu sempre adorei compreender o teu olhar e sempre tive um orgulho imenso de todas as vezes que você me ouviu sem usar a gramática. Você me manteve por perto mesmo quando eu não quis. E quando eu te feri, você não me deixou. E feridas, soubemos nos respeitar sem abandonar a idéia de futuro.

Por isso eu queria dizer que depois desse tempo, é um prazer estar presente. Entregues a um amor de gente que se ama e não se abandona por não querer, por não saber como, por tantos e tantos motivos que só você sabe, que só eu sei. Você é uma incrível poesia. E eu venho pensando e remando em direção oposta – para variar – logo eu, que falo tanto em mínimos óbvios. A tempos atrás, a gente se encontrava e se estranhava e não tínhamos a dimensão do que ia acontecer. Eu lembro de te querer tanto e em voz alta. Eu lembro de você querer sempre mais o mundo. Sem metáforas, você sempre quis o mundo. Sempre transbordou levando quem estivesse ao lado. E permaneci até agora. E permanecemos e eu queria mais uma vez, pela primeira vez, dizer que te amo. E te oferecer o ponto de interrogação, o meu ponto de interrogação, que é tudo o que eu sempre te entreguei. E você não recusou.

[sacado e adaptado de Mínimos Óbvios...]


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Ao meu redor.



Ao meu redor.


Tanta coisa fora do lugar
ao meu redor,
Minha parte dentro de você
já foi melhor
Um retrato que ficou
enquanto tudo passou
na poeira do tempo
Mesmo assim não quero te deixar
não há razão,
é preciso ainda enxergar
na escuridão
Espero, faço o que não sei
e quando a noite cai
eu espero pra ver
E na verdade você sabe bem
que eu não me iludo
que eu tenho tudo
de você,
por isso mesmo, não há mais ninguém
na cidade inteira que assim
te queira como eu
O brilho só aumenta a solidão
com nitidez
a paisagem presa a flutuar
mais uma vez
quanto tempo vai durar
a incerteza no olhar, o perigo das horas
Mesmo assim eu tento escrever uma canção
Espero, faço o que não sei
e quando a noite cai
eu espero pra ver
E na verdade você sabe bem
que eu não me iludo
que eu tenho tudo
de você,
por isso mesmo, não há mais ninguém
na cidade inteira que assim
te queira como eu
O tempo passa e eu não posso deixar
de dizer
Não, não vá embora
nunca mais, agora ou depois
as outras tardes, você guarde bem
nesse coração, onde não há pecado
nem perdão.

[Bárbara, eu TE AMO.]